
“(...) Houve luta e sangue e morte e luto para que 75 chegasse com todos os lugares de
sombra e saciedade. Na Guiné à sombra do Poilão já tinha havido festa. Não é de 75 a casa
deles, mas anterior como a casa dos nossos antepassados, os que vêm antes e preparam os
caminhos. Cabo verde, S. Tomé. Moçambique tiveram casa e bandeira em 75 e mesmo para
Angola, a mais difícil das casas havia uma Vitória Certa, em Novembro mês da chuva e do
calor imenso.
Este livro é uma casa cheia de portas para todas as outras casas para as línguas que se falam
e as outras que se vão descobrindo. Eram jovens muitos jovens, os que esperavam a
Dipanda e há tantas palavras para dizer nessa demanda da utopia onde todos inscrevemos o
rosto e nos perdemos. Aqui há palavras novas que se cruzam com outras mais velhas para
dizer sofrimento. Aqui se misturam as vozes: versos, cantos, música, formas de estar.
O colar dos dias uniu as incertezas em muitas vozes diferentes. Entre a ficção e a memória
rememoram-se tempos onde a vida começava e todas as portas estavam abertas “na
liberdade daqueles lugares”.
Ana Paula Tavares.
Nov 2025

2025
ed. ELIVULU
Mais do que um romance histórico, Casa 75 é um retrato sensível de um grupo privilegiado
de intelectuais que viveu, na diáspora, as independências e o fim do império colonial
português num tempo em que muito parecia possível — e muito estava em risco.
Na continuidade das suas outras obras há uma deslocação de certas tradições clássicas do
exílio e da diáspora Branca Clara das Neves escreve a criação contínua de mundos
relacionais após a fragmentação histórica


